7.8.08

Por detrás da janela

Ana sempre olhava a janela do seu quarto, porém nunca saia de lá.
Ela observava, encantada, a quantidade de cores que tinha do outro lado. Tantas pessoas, tantas músicas, tanto movimento. Ao contrário do que acontecia naquele pequeno cômodo.
Tudo aquilo a enfeitiçava de tal forma... queria sair dali! Ia sair dali!
Lembrou da chave empoeirada da janela, que estava guardada em uma gaveta perdida no guarda roupa. Procurou, pegou-a, olhou bem. Deveria mesmo fazer isso?
Sempre ouvira dizer que o outro lado, por mais lindo que fosse, era muito perigoso também.
Hesitou por alguns instantes. Ela ia se arriscar.
Pegou a pequenina chave e a colocou em baixo do travesseiro.
Quando a noite caiu e todos já tinham ido se deitar, Ana levantou com cuidado, procurando não fazer barulho.
Abriu a janela e desceu.
Chovia.
Sentiu o cheiro da grama molhada.
Sentiu seus pés tocando a terra.
Sentiu a brisa acariciando seu rosto e seu cabelo, agora solto, balançando.
Sentiu o movimento, ouviu a música.
Sentiu as diferenças, os sentimentos, os laços, a vida.
E foi andando, se encantando cada vez mais.
O tempo passou, ela não percebeu. Quando viu, já era de manhã. O Sol estava nascendo, os pássaros começavam a cantar.
Ana se deitou perto de uma árvore que tinha por ali.
Adormeceu.

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